ele passa bem.
24 de fevereiro de 2011
23 de fevereiro de 2011
carta nunca enviada
foi muito para você o beijo no vestido longo.
voce disse que viria! - eu gritava. gritava sozinha, pois há muito você não me escutava.
uma distância que para mim era banal para você era um fardo.
minha posição deveria ser um fardo.
minha postura. um fardo.
assusta a quantidade de psicotrópicos para enganar uma mente em ebulição.
te queimei com meu caldeirão fervente, lava incandescente.
só que não sei ser diferente. e não quero aprender.
apaixonados querem casar.
querem viver uma vida.
eu quero viver essa vida, eu quis. eu achei. a derrocada. a invenção. é isso.
e então todas as musicas que quis compartilhar com você estou ouvindo sozinha.
e então a voz que quis soltar pra você, me abraça no chuveiro.
minha mão ficou estendida por tanto tempo e você estava olhando só pra baixo do buraco. eu sei como é. mas é pretensão dizer que entendo.
a vida em preto e branco.
nunca poderíamos nos encontrar se nossas vidas são em preto em branco.
se eu não emano cor.
se você não emana cor.
20 de fevereiro de 2011
19 de fevereiro de 2011
17 de fevereiro de 2011
el desierto
He venido al desierto pa' reirme de tu amor
Que el desierto es más tierno y la espina besa mejor
He venido a este centro de la nada pa' gritar
Que tú nunca mereciste lo que tanto quise dar
He venido yo corriendo, olvidándome de ti
Dame un beso pajarillo, no te asustes colibrí
He venido encendida al desierto pa' quemar
Porque el alma prende fuego cuando deja de amar
lhasa de sela.
voce apareceu sem sentido algum naquele banheiro no meio da manhã. eu estava sozinha, não haveria de ser diferente.
sempre a barba por fazer.
roçou seu rosto no meu de leve, quase sem querer - como se o roçar de dois rostos em um banheiro pudesse ser sem querer.
senti meus sentidos se perderem no meio do seu hálito reticente.
seus dedos na minha boca e sua mão arrebatando meus cabelos.
eu fechei os olhos, mas quando os abri, estava sozinha contemplando o azulejo.
15 de fevereiro de 2011
8 de fevereiro de 2011
agora
me mate agora.
olhe fundo nos meus olhos, olhe por dentro de mim. e me mate.
eu já passei por isso antes.
e antes
e antes
e antes
sei que suporto
como antes
e antes
mas não quero mais.
tome a responsabilidade e me mate, por favor.
ultima segunda
acordar, esquecer da vida e se fazer de morta.
a última segunda nem pareceu tão enfadonha assim.
monte de tarefas.
monte de pensamentos soltos incompartilháveis.
montes e montes.
entulho.
na ultima segunda feira eu resolvi fazer uma faxina.
será que consigo me livrar desse entulho?
pensamentos soltos indizíveis desinteressantes particulares infinitos definidos pontuais voam voam voam se amontoam na cabeceira da cama esparramam pelo piso de madeira se fazem verbo voltam para dentro se limitam sufocam encolhem emudecem os sentidos dilaceram peitos dilaceram dilaceram
18 de janeiro de 2011
22 de dezembro de 2010
insone
eu já estava cansada de ter você em meus sonhos todos os dias, seja puxando meu cabelo, seja cuspindo na minha cara.
já estava de saco cheio de ler e reler todas aquelas afirmações que vinham sorrateiras ao meu encontro, mas no final eram apenas enxurradas de palavras.
estou olhando pra frente agora e não tenho medo de dar um passo para trás, se isso caber no que eu sinto.
não tenho mais medo de pensar que você não merece cada suor.
como a torneira pingando durante a noite que não me deixa dormir.
assim como você chegou, voce vai embora.
eu sempre pensei que existia muito tempo entre nós, mas as palavras são torpes.
não me dizem respeito, não me entregam nem me censuram.
nada disso me pertence, meu mundo está repleto de reticências e o seu cheio de certezas.
eu me alimento disso.
já estava de saco cheio de ler e reler todas aquelas afirmações que vinham sorrateiras ao meu encontro, mas no final eram apenas enxurradas de palavras.
estou olhando pra frente agora e não tenho medo de dar um passo para trás, se isso caber no que eu sinto.
não tenho mais medo de pensar que você não merece cada suor.
como a torneira pingando durante a noite que não me deixa dormir.
assim como você chegou, voce vai embora.
eu sempre pensei que existia muito tempo entre nós, mas as palavras são torpes.
não me dizem respeito, não me entregam nem me censuram.
nada disso me pertence, meu mundo está repleto de reticências e o seu cheio de certezas.
eu me alimento disso.
21 de dezembro de 2010
4 de dezembro de 2010
eventualmente ele me puxava pelo cabelo e me deixava de joelhos naquela posição voce-sabe-qual para fazer voce-sabe-o-que.
seu pau tinha um gosto de saudade eterna daquilo que eu nunca vivi (nem viverei) e eu fazia com gosto.
por muitas vezes eu tentei entender o que significava essa artimanha toda, ou o que significava todo esse processo destrutivo na qual eu insistia em me meter. eu continuo tentando entender, mesmo sabendo que, no final do ano, do mes, do dia, da vida, a resposta já está plantada na minha cabeça.
eu repetia esse movimento de ir voltar. de bater a cabeça contra a parede, de desejar sofrer por alguma coisa que já nem sabia se valia a pena. eu esperava e esperava. esperava todos os dias para ver se eu mudava de idéia.
eu insistia em retornar ao começo toda vez que enxergava o final.
eu não sei por quanto tempo fiquei assim. hoje eu me vejo num espelho distorcido. e mesmo sabendo dessa distorção, continuo olhando. inevitabilidade.
deixei as unhas crescerem por falta de vontade de cortá-las. deixei os cabelos crescerem por falta de vontade.
e as vezes, só as vezes e eu diria bem as vezes, coisa de uma ou duas vezes em uma vida inteira, eu acredito que não mereço essa desonra.
seu pau tinha um gosto de saudade eterna daquilo que eu nunca vivi (nem viverei) e eu fazia com gosto.
por muitas vezes eu tentei entender o que significava essa artimanha toda, ou o que significava todo esse processo destrutivo na qual eu insistia em me meter. eu continuo tentando entender, mesmo sabendo que, no final do ano, do mes, do dia, da vida, a resposta já está plantada na minha cabeça.
eu repetia esse movimento de ir voltar. de bater a cabeça contra a parede, de desejar sofrer por alguma coisa que já nem sabia se valia a pena. eu esperava e esperava. esperava todos os dias para ver se eu mudava de idéia.
eu insistia em retornar ao começo toda vez que enxergava o final.
eu não sei por quanto tempo fiquei assim. hoje eu me vejo num espelho distorcido. e mesmo sabendo dessa distorção, continuo olhando. inevitabilidade.
deixei as unhas crescerem por falta de vontade de cortá-las. deixei os cabelos crescerem por falta de vontade.
e as vezes, só as vezes e eu diria bem as vezes, coisa de uma ou duas vezes em uma vida inteira, eu acredito que não mereço essa desonra.
30 de novembro de 2010
22 de novembro de 2010
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