23 de abril de 2012

um a um.
a começar por você e terminar por ela.
vejo apenas a sombra.
e se possível for,

as costas.

22 de abril de 2012

quando fui chupar sua boceta, voce disse que eu não sabia fazer direito.
como não?
por todo o momento foi você.
é, todo o momento.
a desarrumação era você.
a desorganização.

era eu esperando você.
meu círculo vicioso.

eu esperando sua desordem.




e, meus parabéns.
funcionou.
evaporei.

18 de abril de 2012

terminei porque não gostava da cara dele gozando.
eu vou aproveitar cada segundo da minha sensatez. e aproveitar cada segundo da minha miséria. pois só isso fará realmente eu entender quem eu sou.
só posso dar carinho, amor e perdoar.


gostaria de receber, em vez de cobranças.
sou o que sou.

17 de abril de 2012


“Entendo que para contar é necessário primeiramente construir um mundo, o mais mobiliado possível, até os últimos pormenores. Constrói-se um rio, duas margens, e na margem esquerda coloca-se um pescador, e se esse pescador possui um temperamento agressivo e uma folha penal pouco, pronto: pode-se começar a escrever, traduzindo em palavras o que não pode deixar de acontecer.”
Umberto Eco em pós-escrito a O nome da Rosa

16 de abril de 2012


é só até você se lembrar que somos um tubo[1]. entra e sai. entra. e sai. e coisas penduradas. alguns com mais coisas, alguns com menos. mas uma delas, se diz pensante. que faz um pensante, se não saber que é apenas tubo?







[1] arnaldo jabor – eu sei que vou te amar.
o telefone tocou com seu nome.
mas não era você.

14 de abril de 2012

atire a primeira pedra a mulher que nunca quis ser sodomizada.
as vezes acordo achando que voce está aqui.
mas voce já morreu.


deve ser a esquizofrenia chegando.

vermelho

eu e o vestido vermelho, o maço de cigarros. a varanda e à minha frente a imensidão e infinitude do mar. não tem a taça de vinho. duas luzes verdes piscando lá no fundo. foco. não tem sincronia, percebo. esperei até elas voltarem a piscar juntas novamente. demorou, o cigarro morreu em minhas mãos. lembrei de voce, ainda está por aqui, ainda ronda essa casa.
eu e o vestido que voce amava e odiava. nunca mais usei short.
pensei muito em promessas. o que são promessas?
eu não chorei, acho que secou. tenho medo quando seca. eu nunca me esvaí assim.
Bibiana Veronica

12 de abril de 2012

faz dias que, à noite, não sei onde estou.
quero ser andarilha.

porque já se que só sei viver em sonhos.

9 de abril de 2012

conto safado de Pedro Juan

te levei para tomar aquela cerveja prometida.
há anos.
com uma garrafa da verde voce já estava fácil fácil.
falei que ia te beijar e beijei.
saímos do bar e fomos dar uma volta na praia, pisar na areia, sentir a água salgada nos pés.

antes de chegar, te encostei naquela grade imunda.
-o que voce está fazendo?
falei que teria de te comer.
-isso não é certo.
voce estava fácil, corpo mole, entregue. mas safada entrou no jogo, se fez de santa.
abaixei sua calça e te dei um tapa, indignado pelo fato de voce esconder essas pernas roliças, grandes nesse monte de pano.
queria seu rabo. ali naquela praia.
voce negou.
sua buceta estava encharcada.
meti meu pau só para que ele se lambuzasse. quente, apertada.
mas queria tudo.
cuspi.
forcei a entrada naquele cu que sabia que gostava de um bom caralho.
voce soltou um gemido alto.
tive de tapar sua boca enquanto ia metendo aos poucos.
voce se contorcia.
não queria mas queria. era quase um estupro.
voce me mordeu quando meti a cabeça do meu pau.
puxei seu cabelo e te dei um tapa na cara. e fui enfiando. tudo. devagar. sentindo tudo muito apertado. chegava a doer.
meti tudo e comecei o vai-e-vem. gostoso. e eu dizia: que rabo gostoso.
e voce rebolava. quando vi, seus dedos estavam te tocando.
achei que não fosse aguentar de tesão quando voce disse: -vou gozar.
esporrei ali mesmo.
"Porque?" é a pergunta. "Porque é tão difícil conseguir um trabalho?" "Porque dá tanto trabalho pintar um apartamento?" "Porque ela não me liga?"
JT - ou Casmurro.

7 de abril de 2012

será que dói para a larva virar borboleta?

6 de abril de 2012

e para voce, incapaz de entender meu sofrimento ou minha angústia, um belo e sonoro vá tomar no cu.
sonhei com voce.
lembrei de voce.
procurei voce.
e nesse sonho uma mulher com uma capa abria cartas pra mim. só ao segurar minha mão ela viu tudo. chutou alguns nomes, mas nenhum era o seu. ao final, fiquei apenas com iniciais. nenhuma remetia a voce. nem a ninguém.

nesse sonho eu tinha lápis de cor.



meu cansaço está insuportável.