você não estava presente. não sei quando esteve. um dia percebi que nunca soube quem você era.
comida mal comida, noite mal dormida.
os lençóis não lhe abraçavam a noite.
desconfio obrigação.
tanto tempo ali, dividindo a cama, o almoço, os carinhos, as contas.
mais do que nunca desconfio obrigação.
mais do que comum não prestar atenção.
dar ouvidos a seu umbigo apenas, fingir que se interessa.
eu ouvia uma música todos os dias e você sempre perguntava de quem era.
e eu não percebi essa distância.
de quem é a responsabilidade?
eu me sentia intensa mas não consigo determinar a verdade.
apenas um caso comum de gente que não se encontra, gente que passa despercebida.
e você não percebe.
e você acha, você sente, você insiste.
que tudo é amor.
mas no final, você não tem nada.
não soube se doar de verdade.
agora eu me encolho na cama, chorando baixinho.
pensando no momento ideal para recomeçar.
tudo de novo.