17 de fevereiro de 2011

voce apareceu sem sentido algum naquele banheiro no meio da manhã. eu estava sozinha, não haveria de ser diferente.
sempre a barba por fazer.
roçou seu rosto no meu de leve, quase sem querer - como se o roçar de dois rostos em um banheiro pudesse ser sem querer.
senti meus sentidos se perderem no meio do seu hálito reticente.
seus dedos na minha boca e sua mão arrebatando meus cabelos.

eu fechei os olhos, mas quando os abri, estava sozinha contemplando o azulejo.

15 de fevereiro de 2011

eu não sou acessível.

8 de fevereiro de 2011

agora

me mate agora.
olhe fundo nos meus olhos, olhe por dentro de mim. e me mate.

eu já passei por isso antes.
e antes
e antes
e antes

sei que suporto
como antes
e antes

mas não quero mais.
tome a responsabilidade e me mate, por favor.

ultima segunda

acordar, esquecer da vida e se fazer de morta.

a última segunda nem pareceu tão enfadonha assim.
monte de tarefas.
monte de pensamentos soltos incompartilháveis.
montes e montes.
entulho.

na ultima segunda feira eu resolvi fazer uma faxina.
será que consigo me livrar desse entulho?



pensamentos soltos indizíveis desinteressantes particulares infinitos definidos pontuais voam voam voam se amontoam na cabeceira da cama esparramam pelo piso de madeira se fazem verbo voltam para dentro se limitam sufocam encolhem emudecem os sentidos dilaceram peitos dilaceram dilaceram

18 de janeiro de 2011

percebi o quanto estava imersa na anulação.
obrigada.

22 de dezembro de 2010

insone

eu já estava cansada de ter você em meus sonhos todos os dias, seja puxando meu cabelo, seja cuspindo na minha cara.
já estava de saco cheio de ler e reler todas aquelas afirmações que vinham sorrateiras ao meu encontro, mas no final eram apenas enxurradas de palavras.
estou olhando pra frente agora e não tenho medo de dar um passo para trás, se isso caber no que eu sinto.
não tenho mais medo de pensar que você não merece cada suor.

como a torneira pingando durante a noite que não me deixa dormir.

assim como você chegou, voce vai embora.

eu sempre pensei que existia muito tempo entre nós, mas as palavras são torpes.
não me dizem respeito, não me entregam nem me censuram.
nada disso me pertence, meu mundo está repleto de reticências e o seu cheio de certezas.

eu me alimento disso.

21 de dezembro de 2010

toda a vez que me despeço de você, digo "te amo" bem baixinho só pra eu ouvir.

4 de dezembro de 2010

eventualmente, de joelhos, eu acreditava que um dia você deu a devida importância para o que eu sentia.
eventualmente ele me puxava pelo cabelo e me deixava de joelhos naquela posição voce-sabe-qual para fazer voce-sabe-o-que.
seu pau tinha um gosto de saudade eterna daquilo que eu nunca vivi (nem viverei) e eu fazia com gosto.
por muitas vezes eu tentei entender o que significava essa artimanha toda, ou o que significava todo esse processo destrutivo na qual eu insistia em me meter. eu continuo tentando entender, mesmo sabendo que, no final do ano, do mes, do dia, da vida, a resposta já está plantada na minha cabeça.
eu repetia esse movimento de ir voltar. de bater a cabeça contra a parede, de desejar sofrer por alguma coisa que já nem sabia se valia a pena. eu esperava e esperava. esperava todos os dias para ver se eu mudava de idéia.
eu insistia em retornar ao começo toda vez que enxergava o final.
eu não sei por quanto tempo fiquei assim. hoje eu me vejo num espelho distorcido. e mesmo sabendo dessa distorção, continuo olhando. inevitabilidade.
deixei as unhas crescerem por falta de vontade de cortá-las. deixei os cabelos crescerem por falta de vontade.

e as vezes, só as vezes e eu diria bem as vezes, coisa de uma ou duas vezes em uma vida inteira, eu acredito que não mereço essa desonra.

30 de novembro de 2010

quando foi que me tornei uma foda barata?

22 de novembro de 2010

vem aquele ardor.
e tudo o que eu vejo é vermelho e preto.


volta pra mim.
aqui é tudo tão escuro e torpe.

31 de outubro de 2010

voce apareceu com sua bermuda azul de novo e eu estava em minha cadeira de rodas.
já disse que não sei mais opinar.

não sei mais.
depositou todas as chances na pastilha.



o dia estava lindo e não sabia aproveitar.

24 de outubro de 2010

ele sempre vai perguntar de quem é a musica, adelina.
desde quando você se permite isso?

esquece a musica, adelina.
esquece o sonho, adelina.

nunca disse que não tinha o interesse.
e espero que não pare de me escrever.

adelina, não finja decepção.
você é quem decepciona.


(e de manhã recebe o cuidado, os dedos, o nao me toque)
adelina, francamente.
acreditou demais em falsas promessas e em migalhas.
agora fica por aí, rastejando.

deita no chão da sala e grita: quero morrer agora.
mas não vai.
seu castigo é essa agonia infinita.

come essas migalhas agora.
come tudo e não reclama.
ao menos você tem migalhas a comer.

23 de outubro de 2010

a realidade é outra

cor de rosa = branco + vermelho.

uma nuvem é só um monte de água.

10 de outubro de 2010

carta por encomenda.
novembro/2007.
para você.

me atordoa, me alimenta
me chama, me aguça a alma e o paladar
sacia vontades adormecidas e desesperadas.
me envolve como um firmamento azul turquesa

ter você me faz cafona, me deixa piegas
me consome as calosidades e enfermidades
minha voz aveludada, seu beijo vermelho
laranja
violeta
cor-de-rosa

você me alivia o peso
você me sustenta na minha leveza.

ter você me ameniza a dor de não te ter.

5 de outubro de 2010

como você se vira sem o anonimato?